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Começando pelo começo...
Em julho de 1993 eu já era atriz e trabalhava com locução publicitária.
Nessa época comecei meu “estágio de dublagem“ na Álamo. Numa das primeiras
vezes que fui lá conheci um garoto loirinho e muito simpático que também
estava começando a dublar. Como nunca diriji carro (sabiam que Marli
Bortoletto, Márcia Regina e Gilberto Barolli, só pra citar alguns
dubladores, também não dirigem ?!) na saída pedi uma carona pra ele, porém
não estávamos indo para o mesmo lado e a carona “ficaria pra próxima”. Eu já
estava andando em direção ao ponto de ônibus, e eis que volta o Marcelinho,
com sua moto, pois tinha mudado de idéia e poderia me deixar onde eu havia
pedido!
Esse foi o começo da minha amizade com uma pessoa que admiro demais
pelos milhões de qualidades que ele possui. Meu estágio na Álamo durou 3
dias. Foi o suficiente para eu começar a dublar pra valer.
Nessa época trabalhávamos muito, infinitamente mais do que hoje. Estava
havendo uma espécie de boom na dublagem, incluindo até mesmo inúmeras
novelas mexicanas e venezuelanas que dublávamos para serem exibidas apenas
em Portugal.
Eu e o Marcelinho sempre nos encontrávamos e ficávamos enumerando
nossos trabalhos e competindo pra ver quem tinha trabalhado mais naquele
mês.
Com o tempo percebi que as mulheres na dublagem sempre têm um volume
menor de trabalho do que os homens. Podem observar: a quantidade média de
personagens masculinos nos filmes e desenhos é geralmente maior que a de
femininos!
Além disso o Marcelo Campos sempre se destacou em nossa profissão, e
logo teve seu valor reconhecido, por interpretar seus personagens com
dedicação e primor.
Com o passar dos anos...
Anos depois o Marcelo começou a dirigir. Sabendo como ele era
detalhista e gostava das coisas feitas à sua moda, fui meio apreensiva à
minha primeira escala onde seria dirigida por ele (também na Álamo). Meu
receio era o de não me sentir à vontade para interpretar, mudar o texto
(como habitualmente mudo) e dublar no meu rítmo (gosto de ler o texto
“antes” e entender o que estarei dizendo). Com “antes” quero dizer aqueles
segundinhos antes de começar a dublar cada frase, já que só temos contato
com o texto no momento de dublar!
Poucos minutos dentro daquele estúdio foram suficientes para que eu
sentisse que estava diante de um dos melhores diretores de dublagem de São
Paulo. Ele era ótimo: deixava a gente à vontade, conhecia o filme e sabia o
que estava fazendo e, praticamente inédito, dirigia a interpretação dos
atores (pois se vocês não sabem, todos dubladores somos atores profissionais
antes de mais nada). E dessa forma ele conseguia extrair o que estava
querendo, ou até mais do que esperava, de cada dublador.
Marcelo e os animes
Não foi à toa que Marcelo Campos recebeu este ano o Oscar de melhor
ator em dublagem de animes.
Tendo começado a dublar os animes da Gota Mágica há uns nove anos (Mu,
Jabu e Misty em Cavaleiros do Zodíaco, General Blue em Dragon Ball e Artemis
em Sailor Moon) de lá prá cá nunca mais parou, passando pelo Clef de
Rayearth, pelo Shurato em Shurato, “meu filho” Trunks em DBZ e DBGT, Yugi em
Yu-Gi-Oh! e Duo de Gundam Wing, entre tantos outros personagens marcantes e
inesquecíveis.
Chegamos em Megaman
Em julho deste ano houve um evento no Teatro Gazeta em São Paulo,
promovido pelo Anime Pró que homenageava vários dubladores. Para nossa honra
e alegria, eu e o Marcelo estávamos entre eles. Foi ali que ouvi pela
primeira vez (o Marcelo contou para a platéia) que Megaman estava pra chegar
ao Brasil, e que provavelmente seria dirigido por ele.
Após algumas semanas iniciaram-se os teste para o elenco. Fiz teste
para 3 personagens e devo confessar que, apesar de ter ficado feliz quando
soube que iria fazer a SAL, havia torcido para fazer a vilã Maddy, assim
poderia usar uma voz diferente das garotinhas que geralmente dublo em animes
e partir para uma interpretação bem diversa da que vocês já conhecem. Mas
isso não foi o Marcelo que decidiu.
E é sobre a escolha das vozes para MEGAMAN NT WARRIOR e vários fatos
interessantes que a envolveram, que foi essa minha conversa com o Marcelo
Campos.
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TG- O estúdio
responsável pela dublagem de Megaman é a SP-Telefilm. O que pode nos
contar sobre eles?
MC - A SP-TELEFILM é uma conceituada produtora de São Paulo. Além de
comerciais para tv, produz programas para o canal "E" Entertainment e
Fashion TV, entre outros; é especializada em transmissões ao vivo de
grandes eventos e é equipada para atender a tudo que é relacionado a
televisão. Trabalha há muito tempo em parceria com uma produtora da
Argentina, a NONSTOP TV, dona da marca "MEDIA PRO COM" responsável pelos
trabalhos de dublagem em espanhol neutro. A MEDIA PRO COM se associou à
SP-TELEFILM para a realização de dublagem em língua portuguesa. Tudo que
for produzido leva o selo "Versão Brasileira Media Pro Com/SP-Telefilm".
TG- A dedicação deles a
esse trabalho está sendo algo totalmente inédito e diferenciado do
habitual. Eles estão levando a sério a escolha das vozes e fazem questão
de saber ( e de que você saiba) o máximo possível a respeito da série e
do perfil dos personagens. Sei que após a primeira bateria de testes
você foi chamado para uma reunião criadores dessa série do Megaman.
Detalhe: a reunião foi sediada em San Francisco nos Estados Unidos. Como
foi essa experiência e o que rolou por lá?
MC - A "ShoPro Entertainment" (criadora desta série do Megaman) convidou
os responsáveis pela dublagem em espanhol (Alejandro Galina) e português
(eu, Marcelo Campos) para uma reunião em seu escritório em San Francisco
com a Coordenadora de Produção, Jessica Villat, com a finalidade de
explicar em detalhes todo o conceito da série:criação, desenvolvimento,
personagens, público alvo, enfim, tudo que envolve o projeto MEGAMAN NT
WARRIOR e sua distribuição nos países de língua portuguesa e espanhola.
Na reunião houve uma apresentação completa de todas as empresas
envolvidas: ShoPro, MPC/SPTF e a ArtSound (versão em espanhol). Após a
apresentação foi dada uma visão geral da série - conteúdo e personagens.
Fizemos uma pausa para almoço e seguimos à tarde com os seguintes
tópicos: critérios de qualidade da ShoPro, logo e conceito artístico do
produto, perfil dos personagens e vozes, a sequência da série, material
de consulta e pesquisa e encerramento.
TG- A escolha das vozes ficou a cargo de quem? E quais eram os
critérios envolvidos nessa escolha?
MC- A Jessica Villat e sua assistente Miki, se encarregaram da escolha
das vozes. O critério era o perfil exato do personagem; não
necessariamente igual ao inglês, mas fiel ao conceito original. A voz do
personagem principal, LAN, brilhantemente interpretado pela Júlia
Castro, foi considerado por eles melhor que a do inglês.
As palavras da Jessica "Júlia
is the PERFECT Lan. I wish she spoke English!
We would have her play the new American Lan!!!" Eles estavam buscando
uma nova voz para substituir o LAN americano, que não havia
correspondido às suas expectativas.
TG- Mas, antes disso, como foi a sua seleção de vozes para os testes
que eles ouviram por lá?
MC- Escolhi três dubladores para cada personagem. E três personagens
para cada dublador. Claro que nem todas as combinações eram ideais;
algumas fugiam muito do inglês, mas, como já expliquei antes, não era
certo que o inglês era o ideal. Alguns fizeram testes para determinados
personagens e foram escolhidos para outro.
TG- Você dublou Megaman há 8 anos. Quais as diferenças entre aquele e
este atual (que está sendo dublado pelo Fábio Lucindo)?
MC- O meu Megaman era um projeto totalmente diferente: outra concepção e
só alguns personagens em comum. Em games, existem vários Megaman pelo
mundo. O meu vivia no mundo dos computadores, o do Fábio (em excelente
interpretação) vive além do computador: vive na internet. E ele está
defendendo o personagem com muita garra, seguindo a minha direção à
risca.
TG- E o que mais pode nos dizer em relação ao elenco que está
dublando Megaman ?
MC- Todo o elenco está se empenhando muito. Acho que o fato de eu estar
na direção inspira isso. Eles sabem o quanto sou dedicado e a fim de
realizar um trabalho de qualidade e isso estimula o dublador, que está
acostumado a muita direção desleixada. Ninguém chega lá querendo sair
mais cedo. Com exceção do Amajones, claro. Mas até ele se diverte!
TG- Eu, particularmente, estou adorando dublar com você! Agora,
quanto a viagem que você fez...sei que foi chamado de surpresa e teve
que embarcar rapidinho. Algum imprevisto ou fato engraçado nesse
percurso?
MC- Descobri na hora do embarque, na quinta-feira à noite, que meu
passaporte venceria no sábado. E minha volta estava agendada para o
domingo. Tive que convencer o serviço de imigração, em Chicago, a me
conceder um dia a mais de permanência nos EUA. Por pouco eu não me dei
muito mal. Eu poderia nem ter embarcado para a tal reunião.
TG- Três perguntas básicas que o pessoal quer saber: Quantos
episódios tem Megaman? Qual a data prevista de estréia e em que canal
será exibido?
MC- Para o primeiro ano, 22 episódios. Estava previsto para Janeiro. Não
sei dizer ainda em que canal.
TG- E pra encerrar o que gostaria de nos dizer?
MC- Não quero falar muito, prefiro aguardar os comentários do público...
Mas, por enquanto, para quem tiver curiosidade, os testes para o elenco
estão disponibilizados na Internet através do site:
CLIQUE AQUI.
DIVIRTAM-SE !!!
TG- Que legal! Isso também é inédito! Nunca havia visto um site com
os arquivos de voz de um teste para anime!!! Vou fazer o seguinte,
apesar de você já ter me passado a lista com os nomes dos dos
personagens e seus dubladores , vou dar um tempo para o pessoal ir lá
ouvir essas vozes e tirar suas próprias conclusões. Na sequência,
estarei divulgando aqui, na Di_Versão Brasileira a lista definitiva dos
dubladores e papéis, ok?
Até lá,
Tânia Gaidarji
(setembro/2003)

Marcelo e eu com
nossos Cerficados do Evento da Anime Pró ( jul / 2003 )

Marcelo e a equipe em San Francisco ( set / 2003 ) |
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